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24 de October de 2014

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Leishmaniose

Leishmaniose

As leishmanioses são enfermidades provocadas por protozoários do gênero Leishmania, que de acordo com a espécie podem produzir manifestações cutâneas, mucocutâneas, cutâneas difusas e viscerais.
Historicamente as descrições de leishmaniose cutânes humana remontam do século I d.C. e na América a doença é conhecida desde a época 400 a 900 d.C.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (1993), a prevalência mundial das leishmanioses é de cerca de 14 milhões de pessoas infectadas, e a incidência anual é de 1,5 milhão de novos casos, sendo 1 milhão de formas tegumentares e 0,5 milhão de formas viscerais. Esta alta incidência da doença com lesões desfigurantes (tegumentares) e às vezes fatais (viscerais) levaram a OMS a incluí-la entre as seis mais importantes endemias do mundo.
Ocorrem nas Américas, Europa (Mediterrâneo), Oriente Médio, África e Ásia.
No Brasil estão presentes na região norte, noredeste e sudeste, e vem apresentando franca expansão pelo país. As espécies de maior interesse no nosso meio são:

Complexo Leishmania mexicana:
Leishmania (leishmania) amazonensis

Complexo Leishmania brasilienses:
Leishmania (viannia) brasilienses
Leishmania (viannia) guyanensis
Leishmania (viannia) lainsoni

Complexo Leishmania donovani:
Leishmania (leishmania) chagasi

As manifestações clínicas estão associadas à espécie envolvida conforme relacionados abaixo:

Leishmania cutânea:
Leishmania (leishmania) amazonensis
Leishmania (viannia) brasilienses
Leishmania (viannia) guyanensis
Leishmania (viannia) lainsoni

Leishmania cutâneomucosa:
Leishmania (leishmania) amazonensis
Leishmania (viannia) guyanensis

Leishmania cutâneodifus:
Leishmania (leishmania) amazonensis

Leishmania visceral:
Leishmania (leishmania) chagasi

O parasito Leishmania pertence à Ordem Kinetoplastida e à Família Trypanosomatidae e é um protozoário pleomórfico, que se reproduz por divisão binária, adquirindo nos hospedeiros vertebrados as formas promastigota e amastigota e nos hospedeiros invertebrados as formas promastigota, amastigota, paramastigota e promastigotas metacíclicos. As formas de reprodução são a amastigota (vertebrado) e a forma promastigota (invertebrado).
Os hospedeiros vertebrados das espécies envolvidas com as manifestações tegumentares são animais silvestres com roedores, gambá, tamanduá, tatu, canídeos, primatas e preguiça; animais domésticos como cães e equídeos; e o homem. Já as manifestações viscerais envolvem canídeos silvestres, cães domésticos e o homem.
Os hospedeiros invertebrados, também chamados de vetores, são popurlamente conhecidos como mosquito palha, biriguis e tatuquiras e consistem de várias espécies do gênero Lutozomys, que são pequenosmosquitos, com 1 a 3 mm de comprimento; somente as fêmeas se alimentam de sangue (os machos se alimentam de nectar das plantas); são distribuídas conforme relacionado:

1 Cão ou raposa naturalmente infectados;
2 Ao picar o animal ou o homem infectado, o inseto (mosquito palha) suga, juntamente com o sangue, o parasito que causa a doença ( a Leishmania chagasi);
3-4 No intestino do inseto, o parasito se multiplica;
5-6 Ao picar o homem ou outro animal sadio, o "flebótomo" inocula o parasito;
7 No homem, no cão ou na raposa, o parasito se multiplica principalmente no baço, fígado, medula óssea e outros órgãos, provocando a doença.


Vetores mais comunente relacionados com as espécies de Leishmania envolvidas com leishmanioses tegumentares:

*Lutzomya intermedia
*Lu. Pessoal
*Lu. wellcomei
*Lu. whitmani
*Lu. umbratilis
*Lu. anduzei
*Lu. flaviscutellata

Vetores relacionados com leishmaniose visceral:

*Lutzomya longipalpis

A principal forma de transmissão é através da picada do inseto vetor infectado.
O ciclo biológico da Leishmania se dá através da picada do mosquito infectado com a forma promastigota metacíclica (infectante) no hospedeiro vertebrado (homem/cão) - as formas infectantes são liberadas na epiderme e são fagocitadas pelas células do sistema mononuclear fagocitário (macrófagos) - no interior dos macrófagos elas diferenciam-se para formas amastigotas que multiplicam-se intensamente por divisão binária - os macrófagos repletos de formas amastigotas ficam desvotalizados e rompem-se, liberando estas formas que serão num processo contínuo fagocitadas por novos macrófagos.


O mosquito faz seu repasto sanguíneo de um cão/homem infectado e ingere macrófagos parasitados com amastigotas livres no tecido subcutâneo - estas formas no sistema digestivo do mosquito sofrem uma divisão binária e se diferenciam para a forma promastigota quem sofrem intensa divisão binária que após a multiplicação se diferenciam para paramastigotas que colonizam o esôfago e a faringe do vetor - se diferenciam em seguida pra promastigotas metacíclicos, que são as formas infectantes e quando se der o novo repasto sanguíneo do inseto haverá nova infecção de um novo hospedeiro vertebrado.
O ciclo do parasito no inseto ocorre em torno de 72 horas e o período de incubação do parasito no cão varia de meses a anos.
De acordo com a evolução do parasito no corpo do hospedeiro vertebrado nós podemos verificar qua a multiplicação das formas amastigotas produzem um processo inflamatório com atração de novas células para o sítio da infecção produzindo um infiltrado inflamatório composto por linfócitos e macrófagos, levando à formação de um nódulo chamado leishmanioma, localizado no sítio de picada do mosquito. O processo se expande pela multiplicação do parasito em novas células agravando o infiltrado inflamatório levando a uma ulceração superficial da pele; esta ulceração evolui e leva a necrose da epiderme e membrana basal que culmina com formação de uma lesão úlcerocrostosa.
De acordo com a espécies envolvida nós podemos ter o processo licalizado, metatastizado para as mucosas ou visceralizado. Geralmente quando a infecção se dá pela espécie L. chagasi, o local da picada do mosquito pode passar desapercebido e nos quadros clínicos caninos são denominados "chancros" de inoculação; a visceralição ocorre pela via hematógena ou linfática manifestando linfadenomegalias, sinal clínico dos mais frequentes na doença canina. De acordo com os orgãos envolvidos os sinais clínicos de emagrecimento; alterações dermatológicas como dermatites seborreicas, piodermatites, necrose da pontas das orelhas, úlceras plantares, alopecia generalizada; de mucosas; dores na região renal, diarréias ou sinais gastroenterológicos; ceratoconjuntivites.
Os sinais clínicos da leishmaniose visceral canina, também chamada Calazar canino, são muito variados e deve ser feito diagnóstico diferencial de inúmeras doenças, como: scabiose canina, erlichiose canina, dermatites variadas, babesiose, demodiciose, entre outras.

O diagnóstico laboratorial consiste:

*métodos sorológicos como a Imunofluoresc6encia Indireta (IFI), Reação de Fixação de Complemento (RFC) e ELISA

*parasitológico: visualização do parasito por exames de esfregaços de punção de medula óssea, esplênica, hepática ou linfonodos. Também "imprints" de pele ou biópsias poderão ser realizados.

O tratamento em pacientes humanos acometidos com as diversas formas de leishmanioses geralmente dá bons resultados com a cura total dos pacientes, porém no cães a cura geralmente não é alcançada, mas o tratamento é possível com bons resultados e levando a boa qualidade de vida dos animais tratados. Muitos protocolos tem sido propostos nos tratamentos dos cães acometidos sendo os mais frequentes aqueles que usam antimoniais pentavalentes associados a outras drogas leishmanicidas ou leishmaniostáticas. O tratamento dos cães acometido tem sido exaustivamente pesquisado em várias regiões do mundo.

O controle se baseia principalmente no combate aos insetos vetores, medida dispendiosa e nem sempre praticada em países com pouco investimento na saúde pública, além da necessidade de diagnóstico precoce da doença humana para pronto tratamento. Já o controle da leishmaniose canina se baseia também no combate ao vetor através de banhos diretos e sistemáticos com produtos inseticidas piretróides nos animais, além de borrifações sistemáticas nos ambientes peridomiciliares; outra medida de extrema importância é a de captura de animais vadios que podem funcionar como reservatórios importantes; o tratamento dos cães acometidos ou a opção pela sua eutanásia é questão discutível, mas ao nosso ver o tratamento é factível, sendo também importante o diagnóstico precoce, pois o animal deve ter condições clínicas e laboratoriais para ser submetido ao tratamento, o proprietário assumir os riscos e ter dedicação ao seu animal doente, além de condições financeiras para os custos deste tratamento. Isso define que o animal doente deverá ser eutanasiado e em segundo lugar pela avaliação realizada pelo médico-veterinário.

Assim podemos concluir que a classe médico-veterinária precisa estar atualizada e atenta para com as leishmanioses, pois temos o papel mportante na saúde pública e na educação sanitária da população, ao mesmo tempo em que à luz de nossa especialidade queremos preservar e cuidar do bem estar dos animais submetidos aos nossos cuidados.



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