Hanseníase (Lepra)

Descrição
Formas de contágio
Tipos de hanseníase
Estigma
Tratamentos

Descrição

A hanseníase, vulgarmente conhecida como lepra, é doença tão temida quanto antiga. Trata-se de um mal infeccioso, causado pelo bacilo mycobacteryum leprae – um parente do agente causador da tuberculose –, descoberto em 1873 pelo cientista norueguês Gerhard Amauer Hansen.

Doença de evolução prolongada, que atinge principalmente a pele e os nervos, pode causar uma série de problemas, desde lesões na pele a deformidades na face, dedos das mãos e dos pés e destruição da cartilagem do nariz.

A hanseníase também afeta os nervos periféricos, que ligam o sistema nervoso central aos músculos, à pele e a órgãos internos. A doença é hoje mais comum na Ásia, África, Oceania e Américas do Sul e Central. Calcula-se que cerca de um milhão de pessoas em todo o mundo sofram do mal.

Formas de contágio

Considerada uma doença “suja”, “impura”, a hanseníase, contudo, não é das mais infecciosas. O contágio pode acontecer após contato íntimo prolongado ou de mãe
para filho.

A forma de contágio ainda não é totalmente conhecida, mas sabe-se que o bacilo é transmitido por secreções nasais ou por feridas, podendo ser inalado ou penetrar na pele. Sabe-se que a doença tem longo período de incubação e custa, portanto, a manifestar-se, podendo levar até cinco anos para surgirem os primeiros sintomas.

Tipos de hansíase

A doença pode apresentar-se sob duas formas distintas, a tuberculóide e a lepromatosa.

Hanseníase tuberculóide
Hanseníase Lepromatosa

Hanseníase Tuberculóide

Esta forma da doença causa lesões características, como placas hipopigmentadas ou heritomatosas, assimétricas, anestésicas – o local perde toda a sensibilidade –, com bordos elevados e superfície seca e rugosa. O aumento das lesões pode levar à amputação de membros. Há ainda inchaço dos nervos próximos às lesões, que ficam doloridos. Em alguns casos, o doente chega a ter paralisia na região atingida. O mais irônico nesta manifestação da hanseníase é que ela é resultante de uma resposta do sistema imunológico, uma resistência do organismo à invasão do bacilo. O corpo evita a expansão do bacilo, mas este destrói os tecidos e áreas atingidas.

Hanseníase Lepromatosa

A doença se manifesta desta forma quando o organismo não reage ou apenas esboça uma reação ao bacilo. A pessoa fica desfigurada, com o corpo coberto por placas e caroços. A pele do rosto e as orelhas incham, as sobrancelhas caem, a cartilagem do nariz é destruída. Como a pele do rosto fica enrugada, costuma-se dizer que o doente fica com a aparência de um leão. Nos homens, os testículos também podem ser atingidos e a queda nos níveis de testosterona leva ao desenvolvimento dos seios. Outras complicações causadas pelo avanço da doença são cegueira, estreitamento da laringe e perda gradual dos ossos dos dedos das mãos e dos pés. Com o passar do tempo, a destruição dos nervos deixa o doente completamente insensível e, portanto, mais propenso a sofrer lesões, queimaduras ou infecções.

Estigma

O medo da contaminação e a aparência desfigurada dos doentes tornaram a hanseníase uma doença estigmatizada. Desde a Idade Antiga, as vítimas sofreram maus tratos e foram muitas vezes isoladas em colônias. Rejeitados pela sociedade e sem condições de se tratar, muitos doentes transformaram-se em mendigos. Ainda hoje, lidar com a hanseníase é um grande problema social. O medo da separação faz muitas famílias ocultarem a doença, o que só aumenta sua propagação.
Tratamentos

Os tratamentos mais recentes tentam acabar com o estigma, mas as vítimas da doença ainda sofrem com problemas psicológicos e emocionais.
Com tratamento médico apropriado e encorajadas a viver respeitando os limites da doença, as vítimas da hanseníase podem manter-se com relativo conforto. Algumas drogas antibacterianas, como a rifampina e sulfona, já conseguem conter o avanço do mal e evitar que o paciente transmita o bacilo.
No Brasil, o Ministério da Saúde tem promovido campanhas de esclarecimento para tratar a doença gratuitamente.
Consultoria de Denizar Vianna, diretor médico do PlanetaVida

19 de janeiro de 2000

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